Nota Pública do NEJ/RS às Autoridades e à População

Denúncia: EcoAgência sofre o mais grave atentado criminoso a um meio de comunicação do país neste momento.

 

                           

 

Devido à ação de “hackers”, a Ecoagencia Solidária de Notícias Ambientais www.ecoagencia.com.br - foi tirada do ar hoje à tarde.

 

Criada e mantida pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS), desde o dia 10 de maio a EcoAgencia vem sofrendo ataques quase diários de hackers, que inserem mensagens agressivas e retiram notícias do portal.

 

Para o NEJ/RS, esses ataques são um atentado ao direito à informação e à liberdade de imprensa, assegurados na Constituição Federal.

 

Não sabemos ainda os motivos por trás disso, mas não descartamos a possibilidade de sabotagem, em função da atuação da EcoAgência na denúncia de desmandos e atentados ao meio ambiente, contrariando poderosos interesses políticos e econômicos. É, no mínimo, uma coincidência.

 

Neste momento, trata-se do mais grave ataque a um meio de comunicação no país e quem sai perdendo é a sociedade, numa época na qual a informação ambiental se reveste de especial importância para o Brasil e o mundo.

 

Além do mais, isso configura um novo tipo de crime, que nem sequer está previsto no Código Penal e para o qual nossos organismos policiais não parecem ainda devidamente preparados para enfrentar.

 

A entidade apela, então, às autoridades competentes, às entidades representativas dos jornalistas, dos meios de comunicação e às entidades de defesa da cidadania, para que sejam tomadas providências contra este atentado criminoso.

 

E que situações como esta passem a fazer parte, definitivamente, das preocupações de quem quer realmente uma sociedade livre e democrática.

 

Já estamos tomando providências técnicas para a solução do problema, porém, diante da sua complexidade, não há prazo para que esta situação se normalize.

 

A diretoria do NEJRS/EcoAgência:

 

Ilza Maria Tourinho Girardi - Coordenadora

Ulisses A. Nenê - Diretor de Relações Institucionais

Sílvia F. Marcuzzo - Tesoureira

 

Reges Schwaab - Diretor de Comunicação

Adriana Rodrigues - Secretária Geral

 

Mais informações

 

Ilza Girardi – 51- 98518691/51- 32336012 ilza@ecoagencia.com.br

 

Ulisses Nenê – 51- 91152592 ulisses@ecoagencia.com.br

 

Silvia Marcuzzo – 51- 93416213/ 51-34073622 silvia@ecoagencia.com.br

A vanguarda da comunicação irá debater, em setembro, a Mídia e a Ecologia em Natal-RN

                             

 

Profissionais, professores, pesquisadores e estudantes de comunicação têm encontro marcado, de 2 a 6 de setembro, na cidade de Natal, no Rio Grande d Norte. Trata-se do 310 Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (INTERCOM 2008), promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom, com apoio do Canal Futura e da Globo Universidades. O congresso é considerado um dos mais importantes eventos científicos da área de Comunicação das Américas.

 

Ele acontece no marco de duas comemorações emblemáticas: os 50 anos de fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e os 110 anos do nascimento de Câmara Cascudo, intelectual paradigmático que proferiu a lição inaugural da nova universidade e construiu uma obra monumental sobre a cultura popular.

 

Mídia, Ecologia e Sociedade será o tema central que norteará as discussões nas diversas mesas que compõem o congresso. Sua escolha deveu-se ao cenário e as pautas que diariamente estão presentes nos noticiários da imprensa mundial: desmatamento, aquecimento global, mudanças climáticas, derretimento das calotas polares, entre outros, que passaram também a invadir as peças publicitárias, em produções teatrais e cinematográficas, em criações musicais, audiovisuais e literárias. A participação de pesquisadores brasileiros e do exterior, e de profissionais em um fórum científico interdisciplinar para refletir especialmente sobre o tema e de questões relevantes e emergentes da área de Comunicação, como: consciência ambiental, mídia e comunicação ambiental, meio ambiente e divulgação científica, e responsabilidade socioambiental; proporcionarão debates e reflexões que irão sensibilizar a sociedade.

 

Para o presidente da INTERCOM o professor José Marques de Melo, a presente conjuntura, marcada pela aceleração dos desmatamentos e do aumento no consumo de derivados de petróleo, desafiam a comunidade acadêmica a refletir e a pesquisar sobre o impacto do meio ambiente nos processos de mediação simbólica. “Falar em mídia e ecologia na sociedade contemporânea, marcada pela aceleração desordenada de crescimento, pelas mutações, é se referir não apenas aos meios existentes, mas a novos e desconhecidos cenários. O mercado, diante disso, tem que se posicionar firmemente”, afirma.

 

Após cerca de duzentos anos de industrialização crescente e automação dos antigos processos artesanais – o que provocou um aumento considerável do consumo de energias não-renováveis no mundo todo e, em especial, nos países do Hemisfério Norte – o Homem começou a se dar conta de que o Planeta anunciava os primeiros sinais de desequilíbrio ambiental. Mesmo após a Eco-92 e o Tratado de Kioto, várias nações que compõem o bloco do G8 continuam a ignorar os problemas do meio ambiente em seus países e jogam suas “culpas” às nações pobres e em desenvolvimento.

 

Marques de Melo ressalta ainda a importância do evento para as novas gerações que estudam comunicação nas universidades brasileiras e para aqueles que desenvolvem suas atividades profissionais: “há mais de três décadas o nosso país vem pesquisando os fenômenos nacionais de comunicação. Esse conhecimento autóctone, gerado principalmente nos cursos de pós-graduação, nem sempre tem sido transferido para a sociedade”.

 

Falar hoje de um mercado e uma sociedade voltada as preocupações ecológicas é falar simplesmente de uma lógica de dispositivos e ações, linguagens e rotinas, de processos e relações que estão presentes na vida dos profissionais, docentes, alunos e ex-alunos, mas também na vida do conjunto da cidadania.

 

O Congresso

 

Desde a sua fundação em 1977, a Intercom promove todos os anos seu congresso em um grande centro do país. Nos últimos onze anos, a entidade realizou o evento em diferentes instituições, cidades e regiões brasileiras, com o intuito de discutir e difundir temas prementes do campo da Comunicação por meio de eixos temáticos centrais, que contribuam para a sociedade.

 

Para 2008, a programação tem início com o pré-congresso com debates sobre olhares lusitanos e brasileiros na cultura, tecnologia e na comunicação. Serão apresentados dez trabalhos no Colóquio Bi-Nacional Brasil-Portugal, que acontece nos dias 02 e 03 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – auditório da Reitoria. Dentre os trabalhos inscritos estão temas como: Estudos Jornalísticos daquém e dalém-mar, Cultura e Tecnologias da Imagem, Tendências e Pesquisas Lusófonas na Comunicação, entre outros.  Também faz parte da programação cultural do pré-congresso, a exibição inédita no país do filme-documentário Santa Liberdade, dirigido por Margarita Ledo Andión, sobre o seqüestro do navio Santa Marta pelos revolucionários portugueses que precederam a Revolução dos Cravos.

 

Já o INTERCOM 2008, conta em sua programação com convidados internacionais vindos da África do Sul, Estados Unidos, França, México, Portugal, Venezuela, Espanha, Inglaterra, Argentina, Moçambique e do Canadá, que participarão de painéis de debates, simpósios e conferências distribuídos em todos os dias do congresso. Já confirmaram sua presença figuras exponenciais da intelectualidade internacional, como os espanhóis Manuel Pares i Maicas, Margarita Ledo, Francisco Sierra e Bernardo Diaz Nosty, os portugueses Antonio Fidalgo, Jorge Pedro de Sousa e Luis Humberto Marcos, o cubano-mexicano Mário Nieves, os argentinos Gustavo Cimadevilla e Luis Albornoz, o mexicano Gustavo León e os brasileiros Carlos Eduardo Lins da Silva, Wilson Bueno, Gaudêncio Torquato, Carlos Chaparro, Luitgarde de Oliveira Barros, José Geraldo W. Marques, Norval Baitello Jr., Juremir Machado da Silva, Adisia Sá, Roberto Benjamin, Marcius Freire, Antonio Fausto Neto, Sinval Itacarambi, André Trigueiro, entre outros.

 

Dentre os vários temas que serão debatidos e apresentados, estão: A cegueira midiática nas questões ambientais; Comunicação a serviço da educação ambiental; O Jornal Nacional e Ciência; A bola na rede; Questões de gênero do diário esportivo Lance; Meio Ambiente tematizado no discurso jornalístico da Folha de São Paulo; Comunicação Cidadã; Wikipédia como espaço de interações e a redação coletiva; A inserção do repórter no relato da história: Chico Mendes, crime e castigo; O negócio da notícia na TV; Estudos de Blogs; A questão ambiental como pauta na Revista Veja; Hoje é dia de Maria: a influência das artes visuais nas direções de arte e fotografia; Pirataria, marketing e confrontos ideológicos: os paradoxos da visibilidade midiática do filme “Tropa de Elite; dentre outros.

 

Serviço

 

31° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – INTERCOM 2008

 

Locais:

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Estadual do Rio Grande do Norte

Universidade Potiguar

FATERN Gama Filho

 

Inscrições Abertas: até 06/08/08 pelo site www.intercom.org.br

ou (11) 3091-4088

 

Informações

William Lara

Coordenação Nacional de Comunicação e Imprensa – INTERCOM 2008

(11) 8273-1178

www.intercom.org.br

Que pode mudar no meio ambiente?

Por: Washington Novaes*

 

É quase impossível acreditar que não figurasse nas possibilidades antevistas pelo presidente da República - ao nomear outro ministro para coordenar o Plano Amazônia Sustentável, sem o conhecimento e a concordância da ex-ministra Marina Silva - a possibilidade de esta se demitir do Meio Ambiente. Por que terá ele escolhido esse caminho? Com o propósito de forçar sua saída? É possível que assim tenha sido. Para evitar, por exemplo, atritos com vários governadores (Mato Grosso, Rondônia, Pará) e com a quase totalidade da corporação político-econômica da Amazônia, com ela em confronto, em ano eleitoral. Há quem acredite que entre as razões se incluiria o início do processo de licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, no Baixo Xingu, mais problemática que as do Rio Madeira (basta ver o primeiro conflito com índios que protestavam esta semana contra a usina, entre eles a índia Tuíra, que, no final da década de 80, quando se discutia o mesmo projeto, encostou um facão no pescoço de um diretor da Eletronorte). Há também quem suponha que se tratou de prevenir um confronto com áreas militares no caso da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em que já se antevê possibilidade de algum recuo do governo federal. Há quem veja a oposição da ministra à usina de Angra 3 e a outras nucleares que o governo decidiu implantar.

 

E que acontecerá a partir da saída da ministra e da ascensão de Carlos Minc? Será complicado. O presidente já decidiu manter na coordenação-geral do Plano Amazônia Sustentável o ministro Mangabeira Unger, e não outra pessoa, como anunciara o novo ministro. Não haverá novos recursos para chegar ao "desmatamento zero" naquele bioma (foi negada a Minc a liberação de R$ 1 bilhão contingenciados de royalties de hidrelétricas e empresas de saneamento) - e isso quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais confirma o aumento em curso do desmatamento e quando o Ministério continua a contar com pouco mais de 0,5% do orçamento federal para todas as suas atividades, inclusive a de montar estruturas de regulação fundiária, monitoramento e fiscalização em milhões de quilômetros quadrados. Será difícil ainda obter apoio do Executivo no Congresso para impedir que ali se aprovem medidas como o projeto que, na prática, reduziria de 80% para 50% em cada propriedade a reserva legal em áreas de florestas. E ainda ter fôlego para a discussão sobre asfaltamento da BR-163, saneamento, "transversalidade" no governo. É muito.

 

Pode-se tentar ver mais de perto o licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, projetada para gerar 11,5 mil MW, mas que, segundo especialistas, na época de seca só teria água para 4,6 mil MW (o que levaria, após o primeiro licenciamento, à estratégia de implantar outros reservatórios de novas hidrelétricas a montante, no mesmo rio, para garantir o armazenamento de água para a estiagem). Outros argumentos têm sido alinhados, como o da desnecessidade dessa implantação, diante de estudos que mostram a possibilidade de reduzir em até 50% o consumo nacional de energia, com investimento muitas vezes menor. A tecnologia de bulbos, prevista para a obra, também seria temerária.

 

O problema maior da ex-ministra parece haver sido o retorno de taxas maiores de desmatamento na Amazônia, embora muitos críticos atribuam a queda anterior não a méritos do Ministério do Meio Ambiente, mas em grande parte à baixa das cotações da soja e da pecuária durante três anos. Mas ela sofreu também derrotas em temas nos quais a posição de seu Ministério era a mais adequada para o País. Por exemplo, na aprovação dos alimentos transgênicos, com derrota no Congresso articulada pelo próprio Executivo e pelo partido a que pertence a ex-ministra. Ou na importação de pneus usados, em que prevaleceu a posição do Itamaraty. Ou no licenciamento (por um Ibama retalhado) das hidrelétricas do Rio Madeira, exigido pelo Ministério de Minas e Energia. Poderiam até ser motivo de orgulho para a ex-ministra essas derrotas. O problema está em haver aceitado derrotas articuladas por seus aliados no mais alto nível.

 

Há outros pontos questionáveis. Na transposição de águas do São Francisco, por exemplo, quando a ex-ministra deu entrevistas aprovando o projeto antes de licenciado pelo Ibama, a ela subordinado. Também no projeto de lei de gestão de florestas públicas, que recebeu críticas contundentes de muitos cientistas, nunca respondidas. Ou ainda na decisão de repassar a competência para licenciar desmatamentos a governos estaduais que não têm estruturas para tanto e são mais vulneráveis a pressões políticas e econômicas locais (o novo ministro anunciou que pretende continuar com essa política). Em alguns dos Estados onde houve o repasse, como Mato Grosso, Rondônia, Pará, o desmatamento voltou a crescer.

 

Ainda seria possível mencionar que se levou anos para criar no Ministério uma secretaria de mudanças do clima e que ainda não temos política definida para essa área crucial, fortemente relacionada com a Amazônia, já que 75% das nossas emissões, que nos colocam como o quarto país mais poluente, se devem a desmatamentos, queimadas e mudanças no uso da terra. Da mesma forma, a escassez de ações no bioma Cerrado, que está perdendo 22 mil quilômetros quadrados por ano.

 

Mais difícil que tudo, provavelmente, será conseguir o novo ministro que o País tenha uma estratégia territorial que lhe permita não apenas formular uma política adequada para a Amazônia, o Cerrado, o clima, mas principalmente colocar recursos e serviços naturais como o centro de todo o planejamento brasileiro. Eles - tem sido dito aqui - são hoje o fator escasso no mundo: biodiversidade, território, insolação, recursos hídricos, energias renováveis, "limpas" e alternativas (solar, eólica, marés, biomassas). São a nossa melhor possibilidade.

 

*Washington Novaes é jornalista

E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

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